Política livre

Em conversa com parceiros e aliados, o governador Jaques Wagner (PT) não tem se furtado em justificar a opção pela indicação do senador César Borges (PR) como candidato ao Senado em sua chapa.

Segundo Wagner, eleitoralmente, para vencer o pleito de outubro, ele teria que fazer uma opção entre o senador e o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), que lançou-se candidato a governador pelo PMDB.

Teria optado por Borges em decorrência da impossibilidade de uma reconciliação política com Geddel. Com a confirmação de Borges na chapa, o que deve ocorrer de forma oficial proximamente, Wagner insinua também qual deve ser a sua composição final.

O grupo seria, naturalmente, encabeçado por ele, tendo o republicano na disputa por uma das vagas ao Senado, o atual conselheiro Otto Alencar como candidato a vice e provavelmente Lídice da Mata (PSB) concorrendo também ao cargo de senadora.

“É uma chapa equilibrada: Um quadro de esquerda na cabeça e outro de centro à vice, o que é repetido na composição para o Senado”, disse há pouco uma fonte do governo ao Política Livre, tentando amenizar as origens políticas de Borges e de Otto, fincadas no carlismo que Wagner assegura ter acabado.

Wagner também não se cansa de repetir aos interlocutores mais críticos de sua tática eleitoral que, em primeiro lugar, atendeu a um apelo do presidente Lula.

Interessado em garantir a eleição de sua candidata Dilma Roussef à sucessão presidencial, Lula não tem dado descanso a aliados que controlam estados como ele no sentido de assegurar apoio eleitoral sólido para a ministra da Casa Civil.

Por este motivo, teria, mais de uma vez, apelado a Wagner para que pensasse seriamente numa recomposição com Geddel, idéia a que tanto Wagner quanto seus aliados mais próximos sempre resistiram, bem como o próprio ministro, que – não se sabe se por esforço retórico de candidato, exclusivamente, ou por convicção mesmo – repete o tempo todo estar empolgadíssimo com sua candidatura oposicionista.

Os argumentos de Wagner têm convencido mesmo os mais avessos à sua “guinada à direita”, como a movimentação do governador tem sido interpretada nos setores mais radicais do PT e da esquerda baiana.

Segundo disse uma fonte do PSB ao Política Livre, a deputada federal Lídice da Mata está entre os políticos que aceitaram plenamente as justificativas de Wagner, preparando-se para surfar na chapa, tudo indica, em direção ao Senado.