A Tarde

No último trimestre de 2009, o índice de álcool combustível adulterado na Bahia triplicou, passando de 0,9% em outubro para 2,7% em dezembro, o que fez o Estado superar a média nacional, que é de 1,8%.  O aumento da adulteração coincide com a elevação nos preços do produto nas bombas.

Cuidado na hora de abastecer, é o alerta aos motoristas. “Não é uma coincidência o aumento da adulteração neste momento. Na verdade, uma coisa está ligada à outra”, acredita o consultor do mercado de agronegócios e bioenergia, Paulo Costa. O produto está saindo mais caro das usinas por causa da procura atual, explica o especialista. “O custo do álcool adulterado acaba ficando mais barato para os distribuidores e postos de combustíveis”, explica.

Na busca do lucro ilegal, maus empresários substituem parte do álcool por outros produtos como a água, além do limite permitido. Nos últimos dias, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) encontrou álcool sendo vendido com metanol em postos do Estado de São Paulo. A substância é nociva ao ser humano e ao meio ambiente. Houve postos em que o percentual de metanol na composição chegou a 95%.

“Nós esperamos que as autoridades tomem providências porque se trata de uma situação séria e prejudicial a todos”, cobra o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis da Bahia (Sindicombustíveis-BA), Walter Tannus de Freitas. “Tudo leva a crer que parte do metanol está ficando aqui”.

De acordo com o escritório da ANP no Nordeste, estão acontecendo ações fiscais em seis estados da região há duas semanas. A Agência informa que ainda não dispõe dos equipamentos para a fiscalização nos postos baianos por se tratar de uma nova modalidade de fraude.

Apesar da agenda de fiscalizações nos 2,1 mil postos de combustíveis em atividade na Bahia, o gerente de ações especiais da Secretaria da Fazenda do Estado, Francisco Brito  reconhece que o aumento no consumo de álcool aumenta as possibilidades de adulteração no produto. “Temos investido na realização de operações nos estados que comercializam o produto com a Bahia, como Alagoas, Espírito Santo e Minas Gerais, mas há um longo caminho de lá para cá”, destaca o representante da Sefaz.