Extraído do livro: Oração Sem Fronteiras, autoria de Wal Cordeiro

Em outubro de 1996, tive a oportunidade de participar de um impacto evangelístico em La Plata na Argentina. Foi um tempo muito gratificante e de crescimento espiritual para mim, pois aprendi a respeitar a cultura do próximo e colocar a oração antes de qualquer ação. Ainda que a Argentina seja nossa vizinha na América do Sul, sua cultura é totalmente diferente da nossa. Lá as pessoas dormem muito tarde, e eu, particularmente, gosto e estou acostumado a dormir cedo, quase sempre. Em Vitória da Conquista, minha cidade natal, nossa “cena” (Jantar) é servido mais ou menos às 19:00 horas.  na Argentina é servido mais ou menos às 23:30 hrs .Daí você pode avaliar a diferença de hábitos de uma cultura para outra. Então, quando estive lá aprendi a respeitar os horários deles, pois eu era um visitante. O Senhor tem me chamado para as nações, por isso eu devo entendê-las e amá-las. Quando amamos as nações, nos identificamos com elas e escolhemos obedecer ao chamado de Deus para servi-las, Ele manifesta a sua glória e o seu poder salvador!

 Ao término do impacto, nós tínhamos em torno de 800 decisões, e um bom relacionamento com a igreja argentina.

Numa tarde, tínhamos uma visita para fazer a uma pessoa contactada por um irmão da Igreja Bautista Pueblo Nuevo (Igreja que estava nos servindo em La Plata) naquela ocasião. Essa pessoa manifestou o interesse de nos receber em sua casa porque éramos missionários brasileiros. 

Antes do impacto acontecer, a igreja convocou os irmãos para fazerem   um “censo” e descobrirem  entre os vizinhos quem deles gostariam de receber uma visita amigável de brasileiros.  Então, tínhamos dezenas de visitas para fazer todos os dias, e encontrávamos todo tipo de pessoas e muitas pessoas se convertiam ao Senhor Jesus.

Naquela tarde, fui levado por um irmão a uma favela distante para a visita marcada. Só tínhamos o endereço pela metade e um mapa mal feito por alguém.  Começamos a procurar aquela família por várias ruas, dentro da favela rural formada de casas de madeira, distantes umas das outras, e  nessa andança, enfrentarmos  muitos cachorros pelas ruas até que chegamos ao endereço desejado.

Depois de procurarmos por muito tempo, encontramos a casa, e eu tinha a responsabilidade de pregar para aquela família, em portanhol ( Mistura de português com espanhol).  Quando estávamos procurando o endereço, eu orava e perguntava a Deus o que deveria falar? A resposta que vinha ao meu coração era: “Não pregue e sim faça o apelo à  família!” “Que constrangedor Senhor!” – Respondi – “fazer o apelo antes da pregação? Isso quebra todo meu conhecimento missiológico. Vai contra todos os princípios de um missionário.” Mas a direção de Deus era esta.

Ao chegamos à casa,  fomos convidados a entrar por um casal de roupa simples e semblante triste. Após nos acomodarmos, a irmã que nos levara, apresentou-nos e disse que eu estaria pregando para eles. As primeiras palavras que eu proferi foram: “Nós somos missionários brasileiros, e viemos de muito longe para fazer apenas um pergunta para vocês, querem receber Jesus em suas vidas, como salvador e Senhor?” Eu olhei para aquele casal, e os seus olhos estavam cheios de lágrimas, (Deus estava fazendo algo naquele momento!) eles disseram que sim e naquela tarde foram salvos. Louvei ao Senhor, mesmo não entendendo nada e, à noite, para minha surpresa, estava toda a família no culto da igreja.

Depois o irmão que fez contato com aquela família me contou que há muito tempo orava e pregava para eles, porém nunca se decidiam. Por obediência ao Senhor, falei o que Ele havia mandado falar, mesmo que estava fugindo a todo método de evangelização, e o resultado foi que, o Senhor preparou o terreno para a colheita e houve salvação naquela casa.

Não aconselho ninguém fazer o apelo antes de apresentar o plano de salvação. Aquele caso foi atipico, e talvez nunca mais eu volte a fazer isso. Dependede unicamente da direção do Espírito Santo.